O RITUAL DA QUEIMA
NO FOGO
(Setembro/Outubro 1987 - acrílico em papel)
“Na religião hindu, Kali Ma é a deusa da criação e preservação, bem como
a deusa da destruição. Nesta pintura, ela está me devorando. Em volta
dela, há um colar de crânios, que são seus filhos. Sinto que meu sangue
está sendo dado em sacrifício para alimentar seus filhos.”
Carl G. Jung nos diz que uma das imagens de descida é aquela do
sacrifício de sangue. Ele diz que se o herói sobrevive a esse encontro
com o arquétipo da mãe devoradora, ele ganha energia vital renovada,
imortalidade, plenitude psíquica ou alguma outra dádiva. Na mitologia
grega, o deus Cronus come seus filhos para que eles não criem uma Nova
Ordem.
Há um ódio enorme tomando conta de mim. A
energia de Kali simboliza o poder destruidor/criador que está reprimido
em muitas mulheres que nos séculos passados se adaptaram a um modelo
socialmente determinado de comportamento dependente, sedutor e guiado
pelo sentimento de culpa. Só nos últimos cem anos é que a força da
mulher começou a retomar contato com seu poder pessoal.
O impulso criativo pode oferecer um recipiente para o ódio e, assim,
pode proporcionar o fogo necessário à transformação. O fogo exprime a
liberação da libido para a criatividade cultural. No fundo, vemos uma
série de longas estruturas brancas. São uma imagem repetitiva e têm algo
a ver com a cura no futuro distante. O significado do símbolo evolui e
se revela com o passar do tempo. |